Siëlaurtha.
Aqui publico uma das tentativas do poema. Por favor, comentem, preciso da opnião!
Sete grimórios pelos elfos foram feitos,
E entregues foram a seus respectivos cavaleiros
Quatro abençoados pelos elementais em seus tomos
Três com os divinos Dons dos Deuses em seus tronos
Sob as palavras desconhecidas,
Em toda a sabedoria de três reinos contidos
Que perdidas um dia foram
Para que toda a vida salva fosse
Sete selos
De sabedoria feitos
Lacraram os portões do Abismo
Para que os três reinos
Em perdição não se afundassem
O Mal destruído
Um dia,
Prometeu retornar
E em todos os reinos
Em trevas afundar
O poema está imcompleto, OK? Mas só uma parte dele será usada no capítulo VI. Té mais.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Feliz Ano Novo! ;D
Que todos os seus desejos se realizem, e que as estrelas te tragam felicidade. Um novo ano nos espera, e que surpresas aconteçam! ;D
O Significado do Número 9 ~
O número nove representa misticamente a Paixão de Cristo: porque o próprio Jesus, na hora nona, tendo dado um forte brado, expirou. Lê-se também que nove são as categorias dos anjos: anjos, arcanjos, tronos, dominações, virtudes, principados, potestades, querubins e serafins. E o nove está presente nas noventa e nove ovelhas que, na parábola evangélica, são deixadas no deserto ou nos montes. Nove pode indicar ainda imperfeição em relação aos mandamentos de Deus, ou a insuficiência dos bens: como está escrito no Deuteronômio a respeito do leito de Og - rei de Basan e tipo do diabo - que media nove côvados de comprimento.
- Humanidade - Altruísmo - Realização. Representa as grandes realizações mentais e espirituais por ser o último e o mais alto dos algarismos elementares; indica as qualidades superiores. É um número com significado Universal.
- Características positivas - tolerância, fé, generosidade, força, carinho, habilidade, inspiração, mente universalista, benevolência, amor ao próximo.
- Características negativas - fanatismo, decepção, solidão, intolerância, frieza, rancor, insensibilidade, impulsividade, egoísmo, fracasso, imoralidade, medo, autodestruição.
O Significado do Número 9 ~
O número nove representa misticamente a Paixão de Cristo: porque o próprio Jesus, na hora nona, tendo dado um forte brado, expirou. Lê-se também que nove são as categorias dos anjos: anjos, arcanjos, tronos, dominações, virtudes, principados, potestades, querubins e serafins. E o nove está presente nas noventa e nove ovelhas que, na parábola evangélica, são deixadas no deserto ou nos montes. Nove pode indicar ainda imperfeição em relação aos mandamentos de Deus, ou a insuficiência dos bens: como está escrito no Deuteronômio a respeito do leito de Og - rei de Basan e tipo do diabo - que media nove côvados de comprimento.
- Humanidade - Altruísmo - Realização. Representa as grandes realizações mentais e espirituais por ser o último e o mais alto dos algarismos elementares; indica as qualidades superiores. É um número com significado Universal.
- Características positivas - tolerância, fé, generosidade, força, carinho, habilidade, inspiração, mente universalista, benevolência, amor ao próximo.
- Características negativas - fanatismo, decepção, solidão, intolerância, frieza, rancor, insensibilidade, impulsividade, egoísmo, fracasso, imoralidade, medo, autodestruição.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Proucura-se um Poeta (Bardos também servem...)
Siëlaurtha, amigos!
Agora que o quinto capítulo já foi publicado, tô com uma certa dificuldade que o sexto está proporcionado. Vou ser um pouquinho Spoiler: Simplismente, no sexto, um poema intriga Dan.
Aí temos um problema. Eu sou péssimo com poemas... U__U
Então tenho procurado por poetas (ou bardos), que me ajudassem a escrever o tal poema, afinal- sem ele, nada de sexto capítulo publicado...
Thanks.
Agora que o quinto capítulo já foi publicado, tô com uma certa dificuldade que o sexto está proporcionado. Vou ser um pouquinho Spoiler: Simplismente, no sexto, um poema intriga Dan.
Aí temos um problema. Eu sou péssimo com poemas... U__U
Então tenho procurado por poetas (ou bardos), que me ajudassem a escrever o tal poema, afinal- sem ele, nada de sexto capítulo publicado...
Thanks.
Quinto.
Siëlaurtha!
Depois de uma longa reedição, o capítulo está aqui!
- Resuminho do capítulo: Uma má notícia abala Dan quando ele sai do hospital. Um péssimo dia o esperava, mas quando ele chega em casa, o tão esperado último livro aparece.
Capítulo V ~
O dia amanhecera cinzento, sem nenhum vestígio do Sol, que se encontrava coberto pelas negras nuvens. Dan abriu os olhos lentamente, percebendo que ainda estava no hospital. Ele ainda não acreditava em tudo aquilo que havia acontecido no dia passado, bem no dia do aniversário dele.
Ele levantou-se, e sentou na cama. Agora ele analisava o quarto, e via que a cama perto da janela estava vazia, e arrumada. Olhava também para a lâmpada, que estava quebrada. Então, ele sentiu algo sob o travesseiro: Era o pergaminho que Aod havia retirado do nada. “Aquilo tudo foi verdade.”
Agora a curiosidade tomava conta do garoto. Ele pegou o pergaminho, e abriu-o. Sobre a folha amarelada, caracteres estranhos estavam escritos verticalmente. “Runas! JP amaria ver isso... Por que eu não levo para ele? Não seria uma má idéia...”, pensou. Ele enrolou o pergaminho, e foi em direção a porta. Dan ia sair, mas foi impedido pela enfermeira e sua cara amarrada.
– Já ia fugir, menino? – Perguntou ela.
O médico apareceu atrás dela.
– Daniel, eu preciso fazer um check-up em você. Em alguns instantes você vai estar liberado para ir embora com a sua mãe.
O doutor fez o de sempre – checou a temperatura de Dan, olhou os ferimentos. Minutos depois, a enfermeira juntou as coisas do garoto, e o levou até a recepção, onde a mãe dele esperava. Ela era uma mulher magra, de cabelos pretos e belos olhos cor-de-mel, que agora se encontravam cheios de lágrimas. – Eu fiquei muito preocupada, filho. – Ela agora tentava conter o choro. Dan foi até ela, e a abraçou fervorosamente.
– Senti sua falta, mãe.
O garoto olhou para a escada que levava ao andar onde estava. Pensava em JP; Se ele já teria voltado ou não, ou se ainda estava deitado na cama, machucado.
– É melhor irmos, Dan.
A mãe do garoto saiu com ele pela recepção, e eles entraram num pequeno carro preto.
– Você está melhor, filho? – Perguntou a mãe.
Dan colocou a mão na cabeça aonde havia batido, e não sentiu nada.
– Eu me sinto perfeitamente bem, mãe. E eu não tava mais agüentando aquele lugar.
A mãe riu e Dan fez uma careta.
– Sem contar sobre a enfermeira maluca que me seguia toda hora e não parava de me olhar estranhamente.
Dan pensava em contar para a mãe o quê havia acontecido na noite passada, mas ele foi repreendido por um pensamento repentino. “Ela não iria acreditar. Tenho certeza que ela diria que isso não passou de um pesadelo ou algo parecido... Mas, eu tenho certeza que foi real. Afinal – tenho uma prova.”, pensou ele.
Por um tempo, a viagem seguia calada, até que a mãe cortou o silêncio, falando sobre os 15 anos de Dan.
– Você não estava em casa, mas eu mesmo assim, comprei um bolo para você. – Disse ela. – Hoje não é mais seu aniversário, mas quando eu chegar do trabalho, vamos cantar parabéns, tudo bem?
Minutos depois, saindo do centro, eles chegaram num bairro afastado. Dan morava numa casa verde, simples. Antes que a mãe estacionasse o carro, o garoto desceu, e foi em direção a casa do lado. Ele batia no portão incessantemente; Mas quando percebeu que ninguém atenderia, começou a esmurrar-lo. As lágrimas rolavam, e se juntavam com a chuva.
Dan voltou correndo para casa; passou pela sala, onde a mãe tomava café, e subiu correndo as escadas, em direção ao quarto. Ele entrou, bateu a porta, e jogou-se na cama. Ele deitou-se no travesseiro e abraçou-o forte. Em meio às lágrimas, Dan teve, pela primeira vez em semanas, um sono sem pesadelos.
Algumas horas depois, o garoto acordou assustado, e rapidamente desceu em busca da mãe.
– Mãe? Mãe, você tá aí?
Ele olhou para o relógio, e percebeu que já eram três da tarde.
Sob a mesa, não havia pão, nem café; havia apenas uma caixa, meio mal embrulhada. Ele a pegou, a desembrulhou, e viu que era algo pesado. Pouco a pouco, ele viu que era o presente que JP havia prometido: O livro mais importante da sua coleção. Ele era um antigo tomo, com uma bela e rústica capa, talvez feita de casca de árvore, adornada com estranhas – e ao mesmo tempo – belas letras garrafais bem feitas em cor dourada.
Fechando o livro, encontravam-se sete selos, feitos de uma brilhante e resistente cera vermelha. Dan facilmente soltou seis, faltando apenas um, o que ficava no centro do livro, o único que resistiu a sua força. No meio deles, havia um pequeno envelope azul, com uma simples escrita dizendo “De JP para Dan”.
O garoto abriu a carta, e os garranchos de JP diziam:
É Dan! Fazendo 15 anos, é? Um ano ficando mais velho! E mais um ano que a nossa amizade permanece! Até parece que foi ontem que a gente se conheceu, né? Eu bem sei disso (afinal, sou um ano mais velho! Haha!). Ah, eu não tenho muito a dizer... Só espero que você tenha gostado do presente! Esse é um dos meus livros mais preciosos! Só tem um detalhe: Nunca consegui abrir esses selos. Como você sempre foi apaixonado por quebra-cabeças, espero que você o decifre!
Acho que é só isso, Dan! Não esquece de guardar um pedaço de bolo para mim, huh? Até mais!
Dan tinha felicidade e tristeza misturadas com as lágrimas. Ele lembrava do simples sorriso do amigo ao vê-lo. Ainda lembrava dos bons momentos que tivera com o garoto, todas as vezes que ele o fizera sorrir. O fato do amigo não ter conseguido abrir o livro assustava Dan; afinal, ele abrira seis deles sem menor esforço.
Então, o telefone tocou. Dan colocou o livro e a carta sobre a mesa, e correu até o telefone para atender. Era sua mãe.
– Dan, boa tarde. Espero que esteja bem. – Disse ela.
Ele assustou-se. Mil pensamentos bagunçaram a cabeça dele.
– Por que, mãe? – Hesitou.
– Desculpe dizer, mas... – Ela pausou, e suspirou.
“O quê terá acontecido dessa vez!?”, pensou o garoto.
– O quê, mãe? Você vai me deixar preocupado!
A voz da mãe do garoto agora tomava um triste tom choroso. Isso fazia Dan estremecer, e aumentava o nervosismo dele.
– É triste dizer, eu sei... – Disse ela. – Mas... O seu amigo... faleceu.
Dan irritou-se. – Ah mãe! Pára de brincadeira, vai!
– Com a morte não se brinca, Dan. – Ela pausou. – Ele vai ser enterrado daqui à uma hora.
Dan sentiu raiva e tristeza.
– Por que você não me avisou antes, mãe?!
– Eu vi que você não estava muito bem, filho... Ele morreu às três horas da manhã, e achei melhor não te falar quando saímos do hospital... Desculpe.
Dan agora se encontrava paralisado. “Três horas?! Foi exatamente a hora em que eu acordei daquele pesadelo!”, pensou Dan, boquiaberto.
– Eu estou indo para casa. – A mãe disse, tentando melhorar o tom. – Arrume-se, nos vamos até o cemitério.
O garoto caiu ajoelhado no chão. Ele colocou as mãos sobre a boca. Ele estava impressionado com tudo aquilo. Naquele momento, era inevitável não chorar agora. Dan se sentia culpado por tudo aquilo. “Ele morreu... E tudo por minha culpa... MINHA CULPA!”, pensou ele, irado. O garoto não tinha mais vontade de não levantar. Mas algo bem no fundo dele, lhe deu forças para que ele o fizesse. Ele subiu até o quarto, e trocou-se.
Minutos depois, um barulho chamou a atenção do garoto. Ele olhou pela janela, e era a mãe dele. Dan desceu, pegou a mochila em cima da mesa e saiu. Ele entrou no carro negro, e em alguns minutos eles chegaram ao cemitério. O lugar não era medonho. Era até bem sociável, pois parecia um grande parque arborizado. Perto duma capela, ficavam os velórios, onde os mortos eram velados por toda a noite, até a hora do enterro. JP se encontrava no de número 4, onde várias pessoas se amontoavam sob o garoto. Algumas choravam, outros se lamentavam sobre como ele era um bom menino. A mãe dele se encontrava sentada ao lado do esquife, com a maquiagem negra borrando o rosto, passando a mão sobre os cabelos escuros do filho.
JP jazia deitado num esquife marrom-escuro, trajando um belo terno negro, com detalhes e abotoaduras prateadas. Dan chegou perto do amigo, e a mãe dele o olhou com desprezo. Ele colocou a mão sobre as geladas do amigo, e olhava sua expressão misteriosa. Para Daniel, JP sempre estava sorrindo.
Minutos depois, um padre baixo e de cabelos ralos, veio dar a última benção ao garoto. Dan tentava rezar junto com ele, mas sua voz falhava, e não podia conter as lágrimas.
Daí-lhe, Senhor, o descanso eterno. Brilhe para ele a luz perpétua. Descanse em paz.
As últimas palavras da oração ecoavam na mente de Daniel. Ele sabia que aquele seria o último momento que veria o amigo.
O padre fez uma cruz sobre JP e o esquife foi fechado. Algumas pessoas vieram em direção a ele, para que fosse levantado. Dan e o pai de JP foram os primeiros a pegar em uma das alças, e levantá-lo. Outras quatro pessoas os seguiram depois, erguendo o esquife. Depois, as pessoas presentes se juntaram a eles, e formaram um cortejo fúnebre. As lágrimas de Daniel eram misturadas as gotas da chuva. O garoto tentava esconder a sua dor, mas ela saia junto com o choro, em forma de um baixo e triste resmungo.
Depois de uma breve caminhada, o grupo seguiu o caminho que levava até o bosque, onde o garoto seria enterrado. Até que se chegasse a cova, podia se ouvir um coro de gemidos e lamentações.
O corpo de JP foi colocado em um tipo de máquina, para que fosse descido o esquife. Enquanto descia, o peito de Daniel apertava. Não aguentando, ele caiu de joelhos, chorando sem parar. Minutos depois, JP estava enterrado.
Dan olhava para o lugar onde o amigo estava enterrado. Ele colocou as mãos sobre o rosto e o sentimento de culpa retornava. “Me desculpe, JP... Me desculpe...”, ele pensava
Algum tempo foi passando, as pessoas presentes davam os pêsames aos pais do garoto, e iam embora. Ao fim, apenas restavam os pais de JP, Dan e a mãe dele. O garoto levantou-se rapidamente, limpando as lágrimas.
No momento, com um simples e confortante gesto, a mãe de JP virou-se para Dan, e o abraçou.
– Ele gostava muito de você, Daniel. – Disse ela, séria. – Ele, simplesmente, te adorava.
O pai de JP agora vinha em sua direção.
– Você era o melhor amigo que ele já teve Garoto. – Disse o pai, abraçando Dan com um braço, e dando nele um leve tapa nas costas.
As maçãs do rosto de Dan ficaram vermelhas, de vergonha. Ele olhou para a lápide, que estava enfeitada com algumas flores. Nela, havia simples escritos dourados que mostravam a data de nascimento de JP, e o dia de sua morte.
Alguns minutos depois, Dan percebera que estava sozinho. Talvez aquele fosse seu último momento com JP, e ele queria se despedir do amigo.
– Obrigado, JP. Eu nunca poderei reclamar de você. Você foi e sempre será o meu melhor amigo. Agora eu preciso ir.
Antes de sair, Dan ajoelhou-se e tirou a mochila das costas. De dentro dela, ele tirou uma pequena caixa. Ele abriu-a, e retirou dela um prato, com um pequeno pedaço de bolo. As lágrimas caiam sobre o singelo presente, enquanto ele o colocava sobre a lápide. Depois, ele levantou-se, limpando os joelhos sujos de grama molhada.
– Descanse em paz, meu amigo...
Depois de uma longa reedição, o capítulo está aqui!
- Resuminho do capítulo: Uma má notícia abala Dan quando ele sai do hospital. Um péssimo dia o esperava, mas quando ele chega em casa, o tão esperado último livro aparece.
Capítulo V ~
O dia amanhecera cinzento, sem nenhum vestígio do Sol, que se encontrava coberto pelas negras nuvens. Dan abriu os olhos lentamente, percebendo que ainda estava no hospital. Ele ainda não acreditava em tudo aquilo que havia acontecido no dia passado, bem no dia do aniversário dele.
Ele levantou-se, e sentou na cama. Agora ele analisava o quarto, e via que a cama perto da janela estava vazia, e arrumada. Olhava também para a lâmpada, que estava quebrada. Então, ele sentiu algo sob o travesseiro: Era o pergaminho que Aod havia retirado do nada. “Aquilo tudo foi verdade.”
Agora a curiosidade tomava conta do garoto. Ele pegou o pergaminho, e abriu-o. Sobre a folha amarelada, caracteres estranhos estavam escritos verticalmente. “Runas! JP amaria ver isso... Por que eu não levo para ele? Não seria uma má idéia...”, pensou. Ele enrolou o pergaminho, e foi em direção a porta. Dan ia sair, mas foi impedido pela enfermeira e sua cara amarrada.
– Já ia fugir, menino? – Perguntou ela.
O médico apareceu atrás dela.
– Daniel, eu preciso fazer um check-up em você. Em alguns instantes você vai estar liberado para ir embora com a sua mãe.
O doutor fez o de sempre – checou a temperatura de Dan, olhou os ferimentos. Minutos depois, a enfermeira juntou as coisas do garoto, e o levou até a recepção, onde a mãe dele esperava. Ela era uma mulher magra, de cabelos pretos e belos olhos cor-de-mel, que agora se encontravam cheios de lágrimas. – Eu fiquei muito preocupada, filho. – Ela agora tentava conter o choro. Dan foi até ela, e a abraçou fervorosamente.
– Senti sua falta, mãe.
O garoto olhou para a escada que levava ao andar onde estava. Pensava em JP; Se ele já teria voltado ou não, ou se ainda estava deitado na cama, machucado.
– É melhor irmos, Dan.
A mãe do garoto saiu com ele pela recepção, e eles entraram num pequeno carro preto.
– Você está melhor, filho? – Perguntou a mãe.
Dan colocou a mão na cabeça aonde havia batido, e não sentiu nada.
– Eu me sinto perfeitamente bem, mãe. E eu não tava mais agüentando aquele lugar.
A mãe riu e Dan fez uma careta.
– Sem contar sobre a enfermeira maluca que me seguia toda hora e não parava de me olhar estranhamente.
Dan pensava em contar para a mãe o quê havia acontecido na noite passada, mas ele foi repreendido por um pensamento repentino. “Ela não iria acreditar. Tenho certeza que ela diria que isso não passou de um pesadelo ou algo parecido... Mas, eu tenho certeza que foi real. Afinal – tenho uma prova.”, pensou ele.
Por um tempo, a viagem seguia calada, até que a mãe cortou o silêncio, falando sobre os 15 anos de Dan.
– Você não estava em casa, mas eu mesmo assim, comprei um bolo para você. – Disse ela. – Hoje não é mais seu aniversário, mas quando eu chegar do trabalho, vamos cantar parabéns, tudo bem?
Minutos depois, saindo do centro, eles chegaram num bairro afastado. Dan morava numa casa verde, simples. Antes que a mãe estacionasse o carro, o garoto desceu, e foi em direção a casa do lado. Ele batia no portão incessantemente; Mas quando percebeu que ninguém atenderia, começou a esmurrar-lo. As lágrimas rolavam, e se juntavam com a chuva.
Dan voltou correndo para casa; passou pela sala, onde a mãe tomava café, e subiu correndo as escadas, em direção ao quarto. Ele entrou, bateu a porta, e jogou-se na cama. Ele deitou-se no travesseiro e abraçou-o forte. Em meio às lágrimas, Dan teve, pela primeira vez em semanas, um sono sem pesadelos.
Algumas horas depois, o garoto acordou assustado, e rapidamente desceu em busca da mãe.
– Mãe? Mãe, você tá aí?
Ele olhou para o relógio, e percebeu que já eram três da tarde.
Sob a mesa, não havia pão, nem café; havia apenas uma caixa, meio mal embrulhada. Ele a pegou, a desembrulhou, e viu que era algo pesado. Pouco a pouco, ele viu que era o presente que JP havia prometido: O livro mais importante da sua coleção. Ele era um antigo tomo, com uma bela e rústica capa, talvez feita de casca de árvore, adornada com estranhas – e ao mesmo tempo – belas letras garrafais bem feitas em cor dourada.
Fechando o livro, encontravam-se sete selos, feitos de uma brilhante e resistente cera vermelha. Dan facilmente soltou seis, faltando apenas um, o que ficava no centro do livro, o único que resistiu a sua força. No meio deles, havia um pequeno envelope azul, com uma simples escrita dizendo “De JP para Dan”.
O garoto abriu a carta, e os garranchos de JP diziam:
É Dan! Fazendo 15 anos, é? Um ano ficando mais velho! E mais um ano que a nossa amizade permanece! Até parece que foi ontem que a gente se conheceu, né? Eu bem sei disso (afinal, sou um ano mais velho! Haha!). Ah, eu não tenho muito a dizer... Só espero que você tenha gostado do presente! Esse é um dos meus livros mais preciosos! Só tem um detalhe: Nunca consegui abrir esses selos. Como você sempre foi apaixonado por quebra-cabeças, espero que você o decifre!
Acho que é só isso, Dan! Não esquece de guardar um pedaço de bolo para mim, huh? Até mais!
Dan tinha felicidade e tristeza misturadas com as lágrimas. Ele lembrava do simples sorriso do amigo ao vê-lo. Ainda lembrava dos bons momentos que tivera com o garoto, todas as vezes que ele o fizera sorrir. O fato do amigo não ter conseguido abrir o livro assustava Dan; afinal, ele abrira seis deles sem menor esforço.
Então, o telefone tocou. Dan colocou o livro e a carta sobre a mesa, e correu até o telefone para atender. Era sua mãe.
– Dan, boa tarde. Espero que esteja bem. – Disse ela.
Ele assustou-se. Mil pensamentos bagunçaram a cabeça dele.
– Por que, mãe? – Hesitou.
– Desculpe dizer, mas... – Ela pausou, e suspirou.
“O quê terá acontecido dessa vez!?”, pensou o garoto.
– O quê, mãe? Você vai me deixar preocupado!
A voz da mãe do garoto agora tomava um triste tom choroso. Isso fazia Dan estremecer, e aumentava o nervosismo dele.
– É triste dizer, eu sei... – Disse ela. – Mas... O seu amigo... faleceu.
Dan irritou-se. – Ah mãe! Pára de brincadeira, vai!
– Com a morte não se brinca, Dan. – Ela pausou. – Ele vai ser enterrado daqui à uma hora.
Dan sentiu raiva e tristeza.
– Por que você não me avisou antes, mãe?!
– Eu vi que você não estava muito bem, filho... Ele morreu às três horas da manhã, e achei melhor não te falar quando saímos do hospital... Desculpe.
Dan agora se encontrava paralisado. “Três horas?! Foi exatamente a hora em que eu acordei daquele pesadelo!”, pensou Dan, boquiaberto.
– Eu estou indo para casa. – A mãe disse, tentando melhorar o tom. – Arrume-se, nos vamos até o cemitério.
O garoto caiu ajoelhado no chão. Ele colocou as mãos sobre a boca. Ele estava impressionado com tudo aquilo. Naquele momento, era inevitável não chorar agora. Dan se sentia culpado por tudo aquilo. “Ele morreu... E tudo por minha culpa... MINHA CULPA!”, pensou ele, irado. O garoto não tinha mais vontade de não levantar. Mas algo bem no fundo dele, lhe deu forças para que ele o fizesse. Ele subiu até o quarto, e trocou-se.
Minutos depois, um barulho chamou a atenção do garoto. Ele olhou pela janela, e era a mãe dele. Dan desceu, pegou a mochila em cima da mesa e saiu. Ele entrou no carro negro, e em alguns minutos eles chegaram ao cemitério. O lugar não era medonho. Era até bem sociável, pois parecia um grande parque arborizado. Perto duma capela, ficavam os velórios, onde os mortos eram velados por toda a noite, até a hora do enterro. JP se encontrava no de número 4, onde várias pessoas se amontoavam sob o garoto. Algumas choravam, outros se lamentavam sobre como ele era um bom menino. A mãe dele se encontrava sentada ao lado do esquife, com a maquiagem negra borrando o rosto, passando a mão sobre os cabelos escuros do filho.
JP jazia deitado num esquife marrom-escuro, trajando um belo terno negro, com detalhes e abotoaduras prateadas. Dan chegou perto do amigo, e a mãe dele o olhou com desprezo. Ele colocou a mão sobre as geladas do amigo, e olhava sua expressão misteriosa. Para Daniel, JP sempre estava sorrindo.
Minutos depois, um padre baixo e de cabelos ralos, veio dar a última benção ao garoto. Dan tentava rezar junto com ele, mas sua voz falhava, e não podia conter as lágrimas.
Daí-lhe, Senhor, o descanso eterno. Brilhe para ele a luz perpétua. Descanse em paz.
As últimas palavras da oração ecoavam na mente de Daniel. Ele sabia que aquele seria o último momento que veria o amigo.
O padre fez uma cruz sobre JP e o esquife foi fechado. Algumas pessoas vieram em direção a ele, para que fosse levantado. Dan e o pai de JP foram os primeiros a pegar em uma das alças, e levantá-lo. Outras quatro pessoas os seguiram depois, erguendo o esquife. Depois, as pessoas presentes se juntaram a eles, e formaram um cortejo fúnebre. As lágrimas de Daniel eram misturadas as gotas da chuva. O garoto tentava esconder a sua dor, mas ela saia junto com o choro, em forma de um baixo e triste resmungo.
Depois de uma breve caminhada, o grupo seguiu o caminho que levava até o bosque, onde o garoto seria enterrado. Até que se chegasse a cova, podia se ouvir um coro de gemidos e lamentações.
O corpo de JP foi colocado em um tipo de máquina, para que fosse descido o esquife. Enquanto descia, o peito de Daniel apertava. Não aguentando, ele caiu de joelhos, chorando sem parar. Minutos depois, JP estava enterrado.
Dan olhava para o lugar onde o amigo estava enterrado. Ele colocou as mãos sobre o rosto e o sentimento de culpa retornava. “Me desculpe, JP... Me desculpe...”, ele pensava
Algum tempo foi passando, as pessoas presentes davam os pêsames aos pais do garoto, e iam embora. Ao fim, apenas restavam os pais de JP, Dan e a mãe dele. O garoto levantou-se rapidamente, limpando as lágrimas.
No momento, com um simples e confortante gesto, a mãe de JP virou-se para Dan, e o abraçou.
– Ele gostava muito de você, Daniel. – Disse ela, séria. – Ele, simplesmente, te adorava.
O pai de JP agora vinha em sua direção.
– Você era o melhor amigo que ele já teve Garoto. – Disse o pai, abraçando Dan com um braço, e dando nele um leve tapa nas costas.
As maçãs do rosto de Dan ficaram vermelhas, de vergonha. Ele olhou para a lápide, que estava enfeitada com algumas flores. Nela, havia simples escritos dourados que mostravam a data de nascimento de JP, e o dia de sua morte.
Alguns minutos depois, Dan percebera que estava sozinho. Talvez aquele fosse seu último momento com JP, e ele queria se despedir do amigo.
– Obrigado, JP. Eu nunca poderei reclamar de você. Você foi e sempre será o meu melhor amigo. Agora eu preciso ir.
Antes de sair, Dan ajoelhou-se e tirou a mochila das costas. De dentro dela, ele tirou uma pequena caixa. Ele abriu-a, e retirou dela um prato, com um pequeno pedaço de bolo. As lágrimas caiam sobre o singelo presente, enquanto ele o colocava sobre a lápide. Depois, ele levantou-se, limpando os joelhos sujos de grama molhada.
– Descanse em paz, meu amigo...
domingo, 21 de dezembro de 2008
Fourth!
Siëlaurtha!
E aqui temos o quarto capítulo!
Capítulo IV ~
- Resuminho do Capítulo: Após ajudar o velho, Dan descobre que ele veio de outro mundo, e ele se revela como Aod. Ele recompensa o garoto com um pergaminho, que de acordo com o velho, possuia Magia.
Dan sentou-se no chão, ao lado do senhor. Pegou a mão dele, e passou calor para a mão fria. Segundos depois, o médico e a enfermeira abriram a porta, e correram até o velho. O garoto se levantou rapidamente, e foi em direção a cama dele. A enfermeira olhou-o com uma expressão rígida.
– Por favor, espere lá fora. – Pediu ela. – O senhor aqui não está muito bem.
Dan acenou com a cabeça afirmativamente, e saiu. O corredor se encontrava agora todo iluminado com fortes luzes. O garoto andou um pouco, e sentou-se num banco de cadeiras unidas perto de um bebedouro. Ele abaixou a cabeça e juntou as mãos. Agora, milhares de pensamentos rondavam a mente dele. Um deles era a imagem do velho se contorcendo de dor, e a dúvida se ele teria feito bem em ajudar; outro era sobre as palavras de JP no sonho, e a preocupação com o amigo; depois, a vontade de vê-lo bateu em seu peito. “A essa hora, ele deve estar dormindo”, pensou ele, “Melhor não atrapalhar... Ele deve estar muito cansado também...”.
Minutos depois, a enfermeira veio na direção do garoto e o chamou de volta ao quarto. O médico ainda estava lá, ao lado do velho. Dan sentou-se em sua cama.
– Doutor, esse senhor está melhor? Ele não passar muito bem... – Disse o garoto, preocupado.
– Sim, sim. Agora ele passa bem, mas minutos atrás, ele estava entre a vida e a morte... Você o ajudou?
Dan levantou-se e foi para perto da cama do velho. No chão, ele pegou o pedaço de papel.
– Eu tinha que fazer algo por ele... Ele parecia estar sofrendo muito. E ainda falava algo em outra língua. Mas, ele conseguiu falar ajuda.
Ele mostrou o papel ao médico.
– Isso estava colado no braço dele. – Disse o garoto. E colado com muita força. Eu consegui tirar com água.
O médico analisava o papel minuciosamente, mas não encontrou nada de mais.
– Parece um simples papel.
– Mas isso parecia ser a fonte da dor dele. – Dan apontou para o papel. – Tinha um desenho, algo como um círculo desenhado, e quando eu o toquei, ele brilhou!
O doutor olhou para Daniel com escárnio.
– Tudo bem, garoto, você pode ter salvado a vida dele, mas a chapeuzinho vermelho te ajudou? – Zombou ele. – É melhor que você volte a dormir, tudo bem? Boa noite.
Dan voltou para a cama. O doutor saiu do quarto, apagando a luz, e imergindo o quarto nas sombras novamente. A única luz que iluminava o, era a prateada da lua, que entrava pela janela.
O garoto puxou o lençol da cama e cobriu-se, e depois virou para o lado. Finalmente poderia voltar a dormir.
Na cama perto da janela, o velho agora abria os olhos. Ele levantava, vagarosamente, o braço direito, onde outrora era o ponto culminate de sua dor. Agora, ele sentava-se na cama, e analizava o lugar. Ele não estava onde imaginava estar. Então, ele se lembrou da face daquele que o tirara do sofrimento. – Yëa, Nrmír. – Murmurou o ele.
Dan deu um salto da cama. “De novo não... Eu só quero dormir...”, pensou ele. – O senhor está bem?
– Uthá.
– Eu – não - falo - a - sua - língua. – Disse Dan, pausadamente, aumentando a voz, e fazendo sinais.
O velho apontou a mão para o teto, e com um estalo dos dedos, a luz acendeu.
– Mas eu falo a sua.
Daniel ficou boquiaberto. O fato de o velho falar uma língua estranha, e de repente acender a luz com apenas um estalar de dedos o impressionava.
– Sua linguagem é bem parecida com a Língua Divina.
– Que tipo de língua você fala? Ela me parece estranha...
– Eu falo o Elementárico ou a língua elemental. E, ainda, falo mais de trezentas línguas de outros mundos.
“Trezentas línguas? Esse cara é louco! Ninguém fala esse tanto!”, pensou o garoto. – E como você acendeu a luz, só estalando os dedos?!
O homem pegou no criado-mudo ao lado da cama seus simples e pequenos óculos, e os limpou no avental.
– Magia, meu jovem. Magia.
“MAGIA?! Esse velho é realmente louco!”, pensou o garoto, alarmado.
– Jovem, eu não sou louco, se me permite dizer.
Dan ficou boquiaberto. “Ele leu o meu pensamento!”, pensou. “Isso é impossível!”.
– Não, não é impossível. – Respondeu o velho. – Sua proteção mental é ridícula. O quê ensinam nas escolas desse mundo? Eles não ensinam magia?
– Não. Ensinam Matemática, Física, Química... – O garoto respondeu, sem graça. – Magia, não.
O velho se levantou, e com um simples movimento das mãos, o avental que vestia se transformou em uma bela túnica púrpura, com uma bela faixa dourada, que descia dos ombros até os joelhos. Dan, vendo aquilo, ficou ainda mais pasmo. “Isso não pode ser verdade, isso NãO é verdade!”, pensou alarmado. – Eu estou sonhando, não estou? – Perguntou a si mesmo.
– Não, jovem. Isso é real.
O velho viu o pequeno papel que Dan retirara do braço dele, e pegou-o.
– Malditos Juízes... Lançaram-me uma maldição! Eu precisava fugir do reino, afinal, o trono foi tomado... – Ele levantou o pedaço de papel, e mostrou-o ao garoto. – O papel está molhado, e o selo não brilha mais. Lembro da tua face, jovem; você retirou esse maldito feitiço.
Dan agora se encolhia na cama, de medo. “Espero que ele não me amaldiçoe... Ele me dá medo...”
– Você me salvou, ó jovem. Que tolo sou! Deixe-me apresentar. Sou Aod, o Bibliotecário Real.
Saindo de debaixo do lençol onde ele se escondia, o garoto se apresentou.
– Sou Daniel.
Aod agora ajeitava os belos cabelos prateados, e fitava Dan com seus belos e profundos olhos azuis.
– Não tenha medo, ó criança. Irei recompensá-lo pelo teu feito.
Com mais um de seus movimentos das mãos, o velho retirou, do nada, um velho pergaminho. Ele o jogou para Dan, que o pegou no ar.
– Esse é um pergaminho com magias de ataque básicas. – Explicou. – Já que vocês, jovens deste mundo, não aprendem magia, seja honroso e aprenda-a.
Lentamente, Aod passou a mão pela cama onde dormia, e ela se arrumou com o movimento.
– Agradeço por ter me salvo daquela maldição. Se você não o tivesse feito, eu estaria sem movimento nos braços, ou até pior: estaria morto.
O velho andou até a janela, e analisou a lua. – Este mundo não é, absolutamente, o meu. – Ele riu. – Maldito deserto proibido... Aquelas areias confundem a magia.
Agora ele se voltou para o quarto, e analizou-o.
– O seu povo é hospitaleiro, Daniel. Tenho muito que agradecer por ter sido acolhido nessa estalagem.
– Isso é comum... Se você chegou machucado, eles te trazem para cá. Esse lugar é chamado de hospital.
Aod retirou de um dos bolsos da luxuosa túnica um pedaço de pergaminho similar ao que Dan retirara de seu braço.
– Agora eu tenho que voltar. Preciso resolver alguns assuntos pessoais no meu mundo. – Disse ele. – Obrigado, Daniel, e use a magia quando estiver em perigo.
Ele levantou o papel, e o segurou com as duas mãos, e ele começou a queimar.
– Sinto que nos veremos novamente, jovem Daniel...
As chamas do papel tomaram o corpo de Aod, e ele desapareceu entre chamas. Assim que ele sumiu, as chamas sumiram com um grande brilho, e até mesmo a lâmpada estourou, lançando cacos de vidro por todo o quarto.
Dan deitou-se novamente na cama. “Isso foi real. Eu tenho certeza...”, pensou ele. “E esse pergaminho? O quê eu faço com ele?”. Cansado, ele virou-se, e com o pergaminho nas mãos, adormeceu.
E aqui temos o quarto capítulo!
Capítulo IV ~
- Resuminho do Capítulo: Após ajudar o velho, Dan descobre que ele veio de outro mundo, e ele se revela como Aod. Ele recompensa o garoto com um pergaminho, que de acordo com o velho, possuia Magia.
Dan sentou-se no chão, ao lado do senhor. Pegou a mão dele, e passou calor para a mão fria. Segundos depois, o médico e a enfermeira abriram a porta, e correram até o velho. O garoto se levantou rapidamente, e foi em direção a cama dele. A enfermeira olhou-o com uma expressão rígida.
– Por favor, espere lá fora. – Pediu ela. – O senhor aqui não está muito bem.
Dan acenou com a cabeça afirmativamente, e saiu. O corredor se encontrava agora todo iluminado com fortes luzes. O garoto andou um pouco, e sentou-se num banco de cadeiras unidas perto de um bebedouro. Ele abaixou a cabeça e juntou as mãos. Agora, milhares de pensamentos rondavam a mente dele. Um deles era a imagem do velho se contorcendo de dor, e a dúvida se ele teria feito bem em ajudar; outro era sobre as palavras de JP no sonho, e a preocupação com o amigo; depois, a vontade de vê-lo bateu em seu peito. “A essa hora, ele deve estar dormindo”, pensou ele, “Melhor não atrapalhar... Ele deve estar muito cansado também...”.
Minutos depois, a enfermeira veio na direção do garoto e o chamou de volta ao quarto. O médico ainda estava lá, ao lado do velho. Dan sentou-se em sua cama.
– Doutor, esse senhor está melhor? Ele não passar muito bem... – Disse o garoto, preocupado.
– Sim, sim. Agora ele passa bem, mas minutos atrás, ele estava entre a vida e a morte... Você o ajudou?
Dan levantou-se e foi para perto da cama do velho. No chão, ele pegou o pedaço de papel.
– Eu tinha que fazer algo por ele... Ele parecia estar sofrendo muito. E ainda falava algo em outra língua. Mas, ele conseguiu falar ajuda.
Ele mostrou o papel ao médico.
– Isso estava colado no braço dele. – Disse o garoto. E colado com muita força. Eu consegui tirar com água.
O médico analisava o papel minuciosamente, mas não encontrou nada de mais.
– Parece um simples papel.
– Mas isso parecia ser a fonte da dor dele. – Dan apontou para o papel. – Tinha um desenho, algo como um círculo desenhado, e quando eu o toquei, ele brilhou!
O doutor olhou para Daniel com escárnio.
– Tudo bem, garoto, você pode ter salvado a vida dele, mas a chapeuzinho vermelho te ajudou? – Zombou ele. – É melhor que você volte a dormir, tudo bem? Boa noite.
Dan voltou para a cama. O doutor saiu do quarto, apagando a luz, e imergindo o quarto nas sombras novamente. A única luz que iluminava o, era a prateada da lua, que entrava pela janela.
O garoto puxou o lençol da cama e cobriu-se, e depois virou para o lado. Finalmente poderia voltar a dormir.
Na cama perto da janela, o velho agora abria os olhos. Ele levantava, vagarosamente, o braço direito, onde outrora era o ponto culminate de sua dor. Agora, ele sentava-se na cama, e analizava o lugar. Ele não estava onde imaginava estar. Então, ele se lembrou da face daquele que o tirara do sofrimento. – Yëa, Nrmír. – Murmurou o ele.
Dan deu um salto da cama. “De novo não... Eu só quero dormir...”, pensou ele. – O senhor está bem?
– Uthá.
– Eu – não - falo - a - sua - língua. – Disse Dan, pausadamente, aumentando a voz, e fazendo sinais.
O velho apontou a mão para o teto, e com um estalo dos dedos, a luz acendeu.
– Mas eu falo a sua.
Daniel ficou boquiaberto. O fato de o velho falar uma língua estranha, e de repente acender a luz com apenas um estalar de dedos o impressionava.
– Sua linguagem é bem parecida com a Língua Divina.
– Que tipo de língua você fala? Ela me parece estranha...
– Eu falo o Elementárico ou a língua elemental. E, ainda, falo mais de trezentas línguas de outros mundos.
“Trezentas línguas? Esse cara é louco! Ninguém fala esse tanto!”, pensou o garoto. – E como você acendeu a luz, só estalando os dedos?!
O homem pegou no criado-mudo ao lado da cama seus simples e pequenos óculos, e os limpou no avental.
– Magia, meu jovem. Magia.
“MAGIA?! Esse velho é realmente louco!”, pensou o garoto, alarmado.
– Jovem, eu não sou louco, se me permite dizer.
Dan ficou boquiaberto. “Ele leu o meu pensamento!”, pensou. “Isso é impossível!”.
– Não, não é impossível. – Respondeu o velho. – Sua proteção mental é ridícula. O quê ensinam nas escolas desse mundo? Eles não ensinam magia?
– Não. Ensinam Matemática, Física, Química... – O garoto respondeu, sem graça. – Magia, não.
O velho se levantou, e com um simples movimento das mãos, o avental que vestia se transformou em uma bela túnica púrpura, com uma bela faixa dourada, que descia dos ombros até os joelhos. Dan, vendo aquilo, ficou ainda mais pasmo. “Isso não pode ser verdade, isso NãO é verdade!”, pensou alarmado. – Eu estou sonhando, não estou? – Perguntou a si mesmo.
– Não, jovem. Isso é real.
O velho viu o pequeno papel que Dan retirara do braço dele, e pegou-o.
– Malditos Juízes... Lançaram-me uma maldição! Eu precisava fugir do reino, afinal, o trono foi tomado... – Ele levantou o pedaço de papel, e mostrou-o ao garoto. – O papel está molhado, e o selo não brilha mais. Lembro da tua face, jovem; você retirou esse maldito feitiço.
Dan agora se encolhia na cama, de medo. “Espero que ele não me amaldiçoe... Ele me dá medo...”
– Você me salvou, ó jovem. Que tolo sou! Deixe-me apresentar. Sou Aod, o Bibliotecário Real.
Saindo de debaixo do lençol onde ele se escondia, o garoto se apresentou.
– Sou Daniel.
Aod agora ajeitava os belos cabelos prateados, e fitava Dan com seus belos e profundos olhos azuis.
– Não tenha medo, ó criança. Irei recompensá-lo pelo teu feito.
Com mais um de seus movimentos das mãos, o velho retirou, do nada, um velho pergaminho. Ele o jogou para Dan, que o pegou no ar.
– Esse é um pergaminho com magias de ataque básicas. – Explicou. – Já que vocês, jovens deste mundo, não aprendem magia, seja honroso e aprenda-a.
Lentamente, Aod passou a mão pela cama onde dormia, e ela se arrumou com o movimento.
– Agradeço por ter me salvo daquela maldição. Se você não o tivesse feito, eu estaria sem movimento nos braços, ou até pior: estaria morto.
O velho andou até a janela, e analisou a lua. – Este mundo não é, absolutamente, o meu. – Ele riu. – Maldito deserto proibido... Aquelas areias confundem a magia.
Agora ele se voltou para o quarto, e analizou-o.
– O seu povo é hospitaleiro, Daniel. Tenho muito que agradecer por ter sido acolhido nessa estalagem.
– Isso é comum... Se você chegou machucado, eles te trazem para cá. Esse lugar é chamado de hospital.
Aod retirou de um dos bolsos da luxuosa túnica um pedaço de pergaminho similar ao que Dan retirara de seu braço.
– Agora eu tenho que voltar. Preciso resolver alguns assuntos pessoais no meu mundo. – Disse ele. – Obrigado, Daniel, e use a magia quando estiver em perigo.
Ele levantou o papel, e o segurou com as duas mãos, e ele começou a queimar.
– Sinto que nos veremos novamente, jovem Daniel...
As chamas do papel tomaram o corpo de Aod, e ele desapareceu entre chamas. Assim que ele sumiu, as chamas sumiram com um grande brilho, e até mesmo a lâmpada estourou, lançando cacos de vidro por todo o quarto.
Dan deitou-se novamente na cama. “Isso foi real. Eu tenho certeza...”, pensou ele. “E esse pergaminho? O quê eu faço com ele?”. Cansado, ele virou-se, e com o pergaminho nas mãos, adormeceu.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
The Third Chapter
Como o prometido, aqui está!
- Resuminho do capítulo: Nesse terceiro capítulo, Dan passa a noite no hospital, e um misterioso sonho o atormenta. E para aumentar a situação, o garoto tem que ajudar um velho que estava a beira da morte...
Capítulo III ~
“Observação?! Esse médico é louco!?”, pensou Dan. “E a minha mãe ainda concordou?!”
– Você ainda tem que fazer alguns exames. A sua dor de cabeça repentina é algo que me preocupa. – Respondeu o médico.
Dan olhou em volta. Procurava a sua mochila, já que iria passar a noite no lugar.
– Doutor, pelo menos eu posso saber onde está a minha mochila? – Perguntou ele.
– Irei pedir para que a enfermeira traga, OK?
O médico saiu do quarto. Minutos depois, a enfermeira voltava com uma mochila jeans preta, junto com uma bandeja.
– Sua mochila, e o seu jantar. – A enfermeira colocou a mochila no chão, e puxou, do lado da cama, a mesa auxiliar. Sob ela, colocou um prato fundo, com um líquido estranho, esverdeado.
– Eu mandei fazer para você. – Disse ela, com um sorriso idiota em seu rosto. – É de ervilha. Quando eu voltar, quero ver essa tigela vazia, tudo bem? Aproveite.
Ela deixou Dan comer a sopa sozinho. Ele pegou a colher ao lado da comida, e a encheu com a sopa estranha. Lentamente, ele a levou a boca. “Eu queria saber o quê essa enfermeira tem de errado. Ela me dá medo...”, pensou ele. Quando o ele sentiu o sabor estranho da sopa, ele a cuspiu imediatamente. “Isso tá nojento! Concordo em dizer que a comida do hospital é uma droga!”. Ele pegou a sopa e correu até a janela, despejando-a para fora. Depois, pegou a mochila, e dela, sacou uma bela barra de chocolate. “Talvez seja por isso que eu agradeça que hoje é meu aniverário. Esse presente, realmente, veio a calhar”, pensou ele, sorrindo, e em seguida dando uma grande mordida no chocolate.
Minutos depois, ele já havia devorado a barra por inteiro. Chocolate era um dos vícios de Daniel. Agora ele se sentia satisfeito, mas o tédio o atacava agora. Quebrando o silêncio, o celular dele tocava em um dos bolsos da mochila. Era sua mãe.
– Filho! Você está bem? Estava tão preocupada! – Então ela começara a chorar.
– Eu estou bem, mãe. – Respondeu o garoto. – Ah... E não chora, por favor.
– Quando eu apareci aí, você estava dormindo igual pedra, e o médico me disse que você deveria ficar em repouso... Então eu achei que era o certo a ser feito e...
– Você me deixou aqui. – Completou Dan. – Agora tenho que aguentar uma comida horrível e uma enfermeira maluca.
Dan suspirou fundo. A mãe riu.
– Mas pela manhã eu te buscarei, tudo bem?
O garoto responderia a mãe, mas foi interrompido pela visão da enfermeira na porta. Ela o olhava com um olhar condenador.
– Mãe, eu acho que eu tenho que desligar, OK? Err... Até amanhã.
A enfermeira olhou para Dan e deu o sorriso idiota novamente. Ela recolheu a bandeja com a tigela, e levou-a. Para matar o tédio, o garoto agora pegava em sua mochila um cubo colorido, com as cores bagunçadas. Aquele um outro vício de Daniel: Quebra-cabeças. Ele ficou minutos rodando o cubo, e quando apenas uma peça faltava para o completar, a enfermeira apareçeu novamente.
– Creio que seja hora de dormir, garoto.
Ela apontou para o relógio. Eram dez horas da noite. Dan bufou, com raiva, e guardou o cubo quase completo na mochila. Ele deitou-se e se ajeitou no travesseiro. A enfermeira o cobriu, e ele virou para o lado, fazendo uma cara feia. Ela fechou a janela, e deu uma última olhada no velho que dormia afastado. Depois seguiu até a porta, e a fechou. As luzes do corredor foram apagadas, assim como as do quarto.
“Esse lugar me dá medo”, pensou o garoto. Esse foi o último pensamento de Dan, antes de dormir. O sono veio sorrateiro, deixando, de pouco a pouco, a mente do garoto escura e limpa.
Dan virava de um lado para o outro na cama. Estava tendo, dessa vez, um estranho sonho, diferente dos pesadelos que havia tendo semanas atrás. Neste, ele e JP estavam num belo campo verde, com o céu azul sob suas cabeças. O amigo estava sentado na sua frente, e o sorriso dele pairava no rosto. No colo de JP, se encontrava um livro, de aparência antiga, selado com belos selos vermelhos de cera. Ele ergueu o livro, e o entregou a Dan. “Tome conta dele, Dan. Eu já não posso mais fazer isso”, disse o amigo. “Não fale assim, JP. Veja só você, está melhor que nunca!”, respondeu Dan. O amigo levantou-se. “Talvez essas sejam as minhas últimas palavras a você... Cumpra o meu desejo, por favor...”. Daniel olhou para ele com repreensão. A resposta de JP foi um belo sorriso. “Adeus, meu amigo...”, disse JP. Ele levantou-se, e com um aceno, se transformou em uma luz, e logo desapareçeu como fumaça.
– JP! – Gritou Dan, levantando rapidamente, assustado.
Dan passou a mão na testa, e viu que estava todo suado. Ele olhou para o relógio que estava ao lado da cama, e viu que eram três da manhã. Olhando para o resto do quarto, viu que a janela batia por causa de um vento forte. Um arrepio fez que Dan tremesse. A lua entrava pela janela, colorindo o quarto com sua bela cor prata. O garoto virou-se, e tentou voltar a dormir. A única coisa que passava por sua cabeça agora era o sorriso de JP no sonho. Minutos depois, o sono voltava, mas Dan foi acordado com as palavras estranhas do velho que dormia perto da janela. O garoto disfarçou que ainda dormia e começou a prestar atenção no que o velho dizia.
Ele, que dormia desde que o garoto chegara no hospital; agora ele havia acordado, e falava coisas sem sentido, como se falasse em outra língua. Dan, assustado com as palavras e um pouco preocupado com o velho, levantou-se e sentou-se na cama, tentando entender o que o velho dizia.
“Siltëh an drürh lehe, ëye téha slthír!Ekta undûr!”, murmurava o velho, repetindo várias vezes. Até que ele começou a gaguejar uma palavra, que ele tentava pronunciar. “A...Aj...Ajuda...”
Dessa vez, Dan entendeu perfeitamente o quê o homem queria dizer.
– O senhor está bem? – Perguntou Dan, levantando da cama.
O garoto andou até a cama do homem, e viu que ele se contorcia, parecendo que sentia muita dor. Os desarrumados cabelos prateados do velho se encontravam todos suados, e o simples rosto dele exprimia uma triste expressão.
O velho levantava as mãos, e parecia não ter movimento nos dedos. Ele fazia força com o braço esquerdo, tentando auxiliar o direito a se levantar.
– Aju...ajuda. – Murmurou ele.
Dan pegou de leve o braço direito do velho. No pulso, havia algo como um adesivo colado fortemente. Era um círculo negro, que reagindo ao toque do garoto, se tornou vermelho-sangue. O homem urrou.
– Fica calmo! – Disse o garoto. – Eu vou tirar isso de você, se está te fazendo mal.
“Como as pessoas mais velhas estão tentando se atualizar, huh? Mas que tipo de tatuagem é aquela!?”, brincou o garoto. Ele voltou até perto de sua cama, e pegou uma garrafa com água, e retornou para perto da cama do velho. O garoto derramou um pouco do conteúdo da garrafa no braço do homem, fazendo o símbolo se tornar negro novamente. “O papel deve estar mais fraco, agora.”, pensou o garoto. “Mas que tipo de papel com um desenho faz uma pessoa sentir tanta dor!?”. Com um movimento rápido, Dan tirou o papel do pulso do velho. Ele soltou um grito abafado, e então, desfaleçeu.
Ainda assustado, o garoto saiu correndo em direção a porta, e viu que ela se encontrava encostada. Ele abriu-a, e saiu no grande corredor, que agora se encontrava em total escuridão. “Eu não posso deixar aquele senhor sozinho no quarto! Deve ter algum jeito de chamar a enfermeira do quarto...”, pensou o garoto, voltando ao lugar de onde havia saído. O velho continuava sem dizer nenhuma palavra, nem fazia nenhum movimento. Dan voltou para perto da cama em que ele dormia, e começou a procurar algo que poderia chamar algum enfemeiro ou médico. Um pequeno interruptor que brilhava no escuro chamava a atenção do garoto. “Espero que seja esse”, pensou ele.
Dan levantou da cama, e correu em direção a do senhor que dormia perto da janela. O homem continuava do mesmo jeito, apesar da diminuta respiração. Dan colocou dois dedos no pescoço do velho, e percebeu que ele estava frio. “É melhor que eu tenha apertado o botão certo, afinal, ele parece estar... estar morrendo...”, pensou, cobrindo o velho.
- Resuminho do capítulo: Nesse terceiro capítulo, Dan passa a noite no hospital, e um misterioso sonho o atormenta. E para aumentar a situação, o garoto tem que ajudar um velho que estava a beira da morte...
Capítulo III ~
“Observação?! Esse médico é louco!?”, pensou Dan. “E a minha mãe ainda concordou?!”
– Você ainda tem que fazer alguns exames. A sua dor de cabeça repentina é algo que me preocupa. – Respondeu o médico.
Dan olhou em volta. Procurava a sua mochila, já que iria passar a noite no lugar.
– Doutor, pelo menos eu posso saber onde está a minha mochila? – Perguntou ele.
– Irei pedir para que a enfermeira traga, OK?
O médico saiu do quarto. Minutos depois, a enfermeira voltava com uma mochila jeans preta, junto com uma bandeja.
– Sua mochila, e o seu jantar. – A enfermeira colocou a mochila no chão, e puxou, do lado da cama, a mesa auxiliar. Sob ela, colocou um prato fundo, com um líquido estranho, esverdeado.
– Eu mandei fazer para você. – Disse ela, com um sorriso idiota em seu rosto. – É de ervilha. Quando eu voltar, quero ver essa tigela vazia, tudo bem? Aproveite.
Ela deixou Dan comer a sopa sozinho. Ele pegou a colher ao lado da comida, e a encheu com a sopa estranha. Lentamente, ele a levou a boca. “Eu queria saber o quê essa enfermeira tem de errado. Ela me dá medo...”, pensou ele. Quando o ele sentiu o sabor estranho da sopa, ele a cuspiu imediatamente. “Isso tá nojento! Concordo em dizer que a comida do hospital é uma droga!”. Ele pegou a sopa e correu até a janela, despejando-a para fora. Depois, pegou a mochila, e dela, sacou uma bela barra de chocolate. “Talvez seja por isso que eu agradeça que hoje é meu aniverário. Esse presente, realmente, veio a calhar”, pensou ele, sorrindo, e em seguida dando uma grande mordida no chocolate.
Minutos depois, ele já havia devorado a barra por inteiro. Chocolate era um dos vícios de Daniel. Agora ele se sentia satisfeito, mas o tédio o atacava agora. Quebrando o silêncio, o celular dele tocava em um dos bolsos da mochila. Era sua mãe.
– Filho! Você está bem? Estava tão preocupada! – Então ela começara a chorar.
– Eu estou bem, mãe. – Respondeu o garoto. – Ah... E não chora, por favor.
– Quando eu apareci aí, você estava dormindo igual pedra, e o médico me disse que você deveria ficar em repouso... Então eu achei que era o certo a ser feito e...
– Você me deixou aqui. – Completou Dan. – Agora tenho que aguentar uma comida horrível e uma enfermeira maluca.
Dan suspirou fundo. A mãe riu.
– Mas pela manhã eu te buscarei, tudo bem?
O garoto responderia a mãe, mas foi interrompido pela visão da enfermeira na porta. Ela o olhava com um olhar condenador.
– Mãe, eu acho que eu tenho que desligar, OK? Err... Até amanhã.
A enfermeira olhou para Dan e deu o sorriso idiota novamente. Ela recolheu a bandeja com a tigela, e levou-a. Para matar o tédio, o garoto agora pegava em sua mochila um cubo colorido, com as cores bagunçadas. Aquele um outro vício de Daniel: Quebra-cabeças. Ele ficou minutos rodando o cubo, e quando apenas uma peça faltava para o completar, a enfermeira apareçeu novamente.
– Creio que seja hora de dormir, garoto.
Ela apontou para o relógio. Eram dez horas da noite. Dan bufou, com raiva, e guardou o cubo quase completo na mochila. Ele deitou-se e se ajeitou no travesseiro. A enfermeira o cobriu, e ele virou para o lado, fazendo uma cara feia. Ela fechou a janela, e deu uma última olhada no velho que dormia afastado. Depois seguiu até a porta, e a fechou. As luzes do corredor foram apagadas, assim como as do quarto.
“Esse lugar me dá medo”, pensou o garoto. Esse foi o último pensamento de Dan, antes de dormir. O sono veio sorrateiro, deixando, de pouco a pouco, a mente do garoto escura e limpa.
Dan virava de um lado para o outro na cama. Estava tendo, dessa vez, um estranho sonho, diferente dos pesadelos que havia tendo semanas atrás. Neste, ele e JP estavam num belo campo verde, com o céu azul sob suas cabeças. O amigo estava sentado na sua frente, e o sorriso dele pairava no rosto. No colo de JP, se encontrava um livro, de aparência antiga, selado com belos selos vermelhos de cera. Ele ergueu o livro, e o entregou a Dan. “Tome conta dele, Dan. Eu já não posso mais fazer isso”, disse o amigo. “Não fale assim, JP. Veja só você, está melhor que nunca!”, respondeu Dan. O amigo levantou-se. “Talvez essas sejam as minhas últimas palavras a você... Cumpra o meu desejo, por favor...”. Daniel olhou para ele com repreensão. A resposta de JP foi um belo sorriso. “Adeus, meu amigo...”, disse JP. Ele levantou-se, e com um aceno, se transformou em uma luz, e logo desapareçeu como fumaça.
– JP! – Gritou Dan, levantando rapidamente, assustado.
Dan passou a mão na testa, e viu que estava todo suado. Ele olhou para o relógio que estava ao lado da cama, e viu que eram três da manhã. Olhando para o resto do quarto, viu que a janela batia por causa de um vento forte. Um arrepio fez que Dan tremesse. A lua entrava pela janela, colorindo o quarto com sua bela cor prata. O garoto virou-se, e tentou voltar a dormir. A única coisa que passava por sua cabeça agora era o sorriso de JP no sonho. Minutos depois, o sono voltava, mas Dan foi acordado com as palavras estranhas do velho que dormia perto da janela. O garoto disfarçou que ainda dormia e começou a prestar atenção no que o velho dizia.
Ele, que dormia desde que o garoto chegara no hospital; agora ele havia acordado, e falava coisas sem sentido, como se falasse em outra língua. Dan, assustado com as palavras e um pouco preocupado com o velho, levantou-se e sentou-se na cama, tentando entender o que o velho dizia.
“Siltëh an drürh lehe, ëye téha slthír!Ekta undûr!”, murmurava o velho, repetindo várias vezes. Até que ele começou a gaguejar uma palavra, que ele tentava pronunciar. “A...Aj...Ajuda...”
Dessa vez, Dan entendeu perfeitamente o quê o homem queria dizer.
– O senhor está bem? – Perguntou Dan, levantando da cama.
O garoto andou até a cama do homem, e viu que ele se contorcia, parecendo que sentia muita dor. Os desarrumados cabelos prateados do velho se encontravam todos suados, e o simples rosto dele exprimia uma triste expressão.
O velho levantava as mãos, e parecia não ter movimento nos dedos. Ele fazia força com o braço esquerdo, tentando auxiliar o direito a se levantar.
– Aju...ajuda. – Murmurou ele.
Dan pegou de leve o braço direito do velho. No pulso, havia algo como um adesivo colado fortemente. Era um círculo negro, que reagindo ao toque do garoto, se tornou vermelho-sangue. O homem urrou.
– Fica calmo! – Disse o garoto. – Eu vou tirar isso de você, se está te fazendo mal.
“Como as pessoas mais velhas estão tentando se atualizar, huh? Mas que tipo de tatuagem é aquela!?”, brincou o garoto. Ele voltou até perto de sua cama, e pegou uma garrafa com água, e retornou para perto da cama do velho. O garoto derramou um pouco do conteúdo da garrafa no braço do homem, fazendo o símbolo se tornar negro novamente. “O papel deve estar mais fraco, agora.”, pensou o garoto. “Mas que tipo de papel com um desenho faz uma pessoa sentir tanta dor!?”. Com um movimento rápido, Dan tirou o papel do pulso do velho. Ele soltou um grito abafado, e então, desfaleçeu.
Ainda assustado, o garoto saiu correndo em direção a porta, e viu que ela se encontrava encostada. Ele abriu-a, e saiu no grande corredor, que agora se encontrava em total escuridão. “Eu não posso deixar aquele senhor sozinho no quarto! Deve ter algum jeito de chamar a enfermeira do quarto...”, pensou o garoto, voltando ao lugar de onde havia saído. O velho continuava sem dizer nenhuma palavra, nem fazia nenhum movimento. Dan voltou para perto da cama em que ele dormia, e começou a procurar algo que poderia chamar algum enfemeiro ou médico. Um pequeno interruptor que brilhava no escuro chamava a atenção do garoto. “Espero que seja esse”, pensou ele.
Dan levantou da cama, e correu em direção a do senhor que dormia perto da janela. O homem continuava do mesmo jeito, apesar da diminuta respiração. Dan colocou dois dedos no pescoço do velho, e percebeu que ele estava frio. “É melhor que eu tenha apertado o botão certo, afinal, ele parece estar... estar morrendo...”, pensou, cobrindo o velho.
As férias... Oh, fériaas...
Siëlaurtha!
Finalmente, de férias! Isso significa que terei mais tempo para a reedição e novos capítulos! De presente, eu deixo o capítulo III!
Té +!
Finalmente, de férias! Isso significa que terei mais tempo para a reedição e novos capítulos! De presente, eu deixo o capítulo III!
Té +!
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
A Vida Passa... Sorrateira...
Desculpem o tempo sem postar, mas eu nem tempo estou tendo... Eu, simplismente, estou sem tempo mesmo, afinal, estou fazendo as últimas provas do ano. Prometo tentar postar mais.
Estou reescrevendo alguns capítulos, e provavelmente eles já serão os definitivos! ^_^
Até logo!
Estou reescrevendo alguns capítulos, e provavelmente eles já serão os definitivos! ^_^
Até logo!
O Segundo Capítulo.
Siëlaurtha!
Depois de um período sem postar nada, aqui tenho o segundo capítulo.
- Resuminho: Depois de quase morrer, Dan é levado para o hospital, revê o amigo que o salvou, e descobre que terá que passar uma noite no lugar.
Capítulo II ~
Dan abria os olhos levemente, e viu que se encontrava numa cama de hospital, numa enfemaria. Já era noite, e o cheiro de álcool e remédios se juntavam com o aroma da noite, que entrava pela janela aberta. Assustado, ele olhou para os lados, vendo apenas camas vazias, exceto uma que estava perto da janela, em que um homem mais velho estava dormindo. “O quê eu estou fazendo aqui?”, perguntou-se. “JP! Preciso saber como ele está!”. Ele estava vestido com um leve avental sob a calça jeans, e alguns fios, vindos de um aparelho que media as batidas do coração dele, encontravam-se ligados a seu peito, e ele os arrancou. Assim quando foram retirados, ouviu-se um longo bipe. Logo, na porta, apareçeu uma mulher forte, com um cabelo estonteantemente loiro, que quase chegava a ser branco. Ela se vestia com uma apertada roupa de enfermeira, que chamava a atenção para seu corpo musculoso. Dan tentou levantar-se, mas a mulher o impediu.
– Já para a cama, mocinho. – Disse a enfermeira, séria. – Creio que você ainda não esteja em condições de sair andando por aí.
Dan bufou, e respondeu:
– Meu amigo! Eu preciso ver meu amigo! AGORA! – Gritou ele. Lembrando do amigo baqueado no chão, foi impossível conter as lágrimas nos olhos.
– Ele está... um pouco ferido. Creio que o baque foi extremamente forte. Os ferimentos estão graves. – Completou a enfermeira, não melhorando muito a situação. – Agora volte para a sua cama. Você, também, bateu forte com a cabeça no chão, e precisa ficar sobre observação.
– Que vá para o inferno a minha observação! Eu quero ver o JP!
– Que menino insistente, não? – A enfermeira disse, já impaciente. – É bem provável que você demore em ver o senhor João Paulo. Ele precisa de muito repouso, e é melhor ele ter apenas médicos em torno dele.
– Isso significa que eu vou atrapalhar? – Respondeu o garoto, raivoso.
A enfermeira saiu do quarto, deixando o garoto falando sozinho. A raiva e a tristeza agora subiam a cabeça dele. Aproveitando a brecha que enfermeira deixara, e mais que rápido, Dan saiu correndo, parando no grande corredor do lado de fora do quarto. Ele olhou para os lados, checando se alguém pudesse ver que ele havia saido do quarto. Ninguém ia o ver, pelo fato de haverem poucas pessoas no lugar. Então, começou a olhar em todos os quartos mais próximos, em busca de JP. Num quarto afastado, ao fundo do corredor, o jovem encontrava-se deitado numa cama, com ferimentos no rosto e no resto do corpo. Ao chegar perto, JP abriu de leve os olhos, vendo Dan.
De longe, Daniel colocou a mão sobre a boca, assustado com o número de ferimentos que estavam no amigo. Dan correu até JP, e retirou a máscara de oxigênio do rosto do amigo, vendo-o abrir um leve sorriso.
– Você...você me salvou.
Lágrimas rolaram do rosto de Dan.
– Você... está... engraçado... nessa... camisola... – Disse JP, com um belo sorriso no rosto.
Dan fez uma careta. – Você ainda pode fazer piadinhas? Fala sério, JP! – Disse ele, limpando as lágrimas.
– Brincadeira... – JP respondeu, lentamente. – Odeio... te ver... triste...
JP mostrava alegria no rosto, e com isso, as lágrimas dançavam no rosto de Daniel.
– O...quê...mais...que você...queria que eu...fizesse? – JP disse, fazendo força para falar.
– Eu nem sei o quê dizer... Por minha culpa você tá aí, nessa cama, todo machucado. – Dan tentava limpar as lágrimas, para não deixar o amigo preocupado.
– Eu...só queria...te proteger... Afinal –hoje...é...seu...aniversário... – Ele fez uma pausa. – Eu... nem sei... se vou... agüentar...muito... por favor...
JP pegou a mão do amigo, e a segurou com a pouca força que restava. – Atenda o meu...último desejo...
As palavras de JP tocavam bem no fundo do coração de Daniel. “Ele não pode desistir assim! Eu tenho certeza que tudo vai dar certo!”, pensou ele.
– Não diga isso, JP! Você vai ver que em algumas horas você vai levantar dessa cama, e a gente vai curtir a minha festa! – Dan tentou alegrar o amigo.
– Eu...quero...que fique...com...o meu...livro mais...importante...– Pausou. – Descubra... por favor... aquilo que...ele tem...para dizer... Ele... é o seu...presente de aniversário...
Dan ajoelhou-se ao lado da cama de JP, e segurou com as duas mãos a dele, que estava morna.
– Eu não posso, JP. Ele é o mais importante da sua coleção! Pára com isso vai, JP! – Disse ele, irritado. – Tá vendo? Eu tô bem melhor!
JP esboçou outro sorriso no rosto.
– Que... bom... Dan... – O garoto suspirou fundo. – Não...se preocupe...comigo...Vou ficar...bem...
Agora, a enfermeira aparecera com o médico na porta do quarto. Segundos depois, apareceram os pais de JP, correndo até o filho, e nem olhando para Dan. Ele levantou-se, dando lugar aos pais, que desesperados, choravam.
– Aqui está o fujão, doutor. – A enfermeira disse, apontando para Dan.
O médico olhou para ele com repreensão. – Daniel, eu peço que me acompanhe.
Então o garoto foi puxado pelo braço pela enfermeira. “Essa enfermeira é uma monstra!”, pensou ele. “Ela não tem o direito de fazer isso!”. Da porta, Dan viu apenas o sorriso de JP, e uma tentativa de aceno. Eles voltaram ao corredor, e o garoto foi puxado por todo o corredor, de volta até seu quarto.
No quarto, o médico pediu que o garoto se sentasse na cama. O médicou sacou um estetoscópio, e colocou-o no peito de Daniel.
– Você dormiu por horas. – Disse ele, analizando o garoto.
Dan passou a mão pelos cabelos, e não sentia dor.
– Dormi? Eu me sinto normal. – Disse ele, agora com um termômetro na boca.
O médico retirou-o da boca de Dan. A temperatura se encontrava em bom estado. Depois, o médico encostou a costa da mão na testa do garoto, e confirmou a temperatura.
– Quando você chegou, sua temperatura estava altíssima. – Ele balançou o termômetro. – E desde então, não acordou. Enquanto você dormia, ficamos preocupados, já que não parava de delirar.
O médico fez apontou para a cama, pedindo para que o garoto se deitasse.
– Eu ainda tenho algum machucado? Eu ainda não posso voltar para casa? – Perguntou o garoto, que continuava sendo analizado pelo médico.
– Depende do aconteceu. Você poderia me contar, Daniel?
O médico sentou-se na cama, e Dan se ajeitou no travesseiro. Com um pequeno resumo, o garoto explicou tudo aquilo que havia acontecido. Ao final, ao lembrar-se do sorriso de JP, as lágrimas retornavam. O médico levantou-se, e pensativo, passou a mão em seu queixo.
– Você está bem sim, Daniel. Por mais incrível que seja, o machucado que ele tinha na cabeça se curou muito rápido. Mas creio que seria bom se você continuasse em observação, até amanhã.
– Observação!? – Perguntou Dan. – Isso significa que...
– Você vai ter que passar a noite no hospital. – Completou o médico.
– O QUê!? Eu acho que estou bem o suficiente para ir embora! – Respondeu o garoto, zangado. – Eu tenho certeza que a minha mãe não me ia deixar aqui!
O médico suspirou.
– A sua mãe esteve aqui. Ela estava muito triste, pelo fato de você estar aqui no hospital. – O médico disse, enquanto Dan bufava de raiva. – Ela viu que você estava baqueado, e concordou com a hipótese da observação.
Depois de um período sem postar nada, aqui tenho o segundo capítulo.
- Resuminho: Depois de quase morrer, Dan é levado para o hospital, revê o amigo que o salvou, e descobre que terá que passar uma noite no lugar.
Capítulo II ~
Dan abria os olhos levemente, e viu que se encontrava numa cama de hospital, numa enfemaria. Já era noite, e o cheiro de álcool e remédios se juntavam com o aroma da noite, que entrava pela janela aberta. Assustado, ele olhou para os lados, vendo apenas camas vazias, exceto uma que estava perto da janela, em que um homem mais velho estava dormindo. “O quê eu estou fazendo aqui?”, perguntou-se. “JP! Preciso saber como ele está!”. Ele estava vestido com um leve avental sob a calça jeans, e alguns fios, vindos de um aparelho que media as batidas do coração dele, encontravam-se ligados a seu peito, e ele os arrancou. Assim quando foram retirados, ouviu-se um longo bipe. Logo, na porta, apareçeu uma mulher forte, com um cabelo estonteantemente loiro, que quase chegava a ser branco. Ela se vestia com uma apertada roupa de enfermeira, que chamava a atenção para seu corpo musculoso. Dan tentou levantar-se, mas a mulher o impediu.
– Já para a cama, mocinho. – Disse a enfermeira, séria. – Creio que você ainda não esteja em condições de sair andando por aí.
Dan bufou, e respondeu:
– Meu amigo! Eu preciso ver meu amigo! AGORA! – Gritou ele. Lembrando do amigo baqueado no chão, foi impossível conter as lágrimas nos olhos.
– Ele está... um pouco ferido. Creio que o baque foi extremamente forte. Os ferimentos estão graves. – Completou a enfermeira, não melhorando muito a situação. – Agora volte para a sua cama. Você, também, bateu forte com a cabeça no chão, e precisa ficar sobre observação.
– Que vá para o inferno a minha observação! Eu quero ver o JP!
– Que menino insistente, não? – A enfermeira disse, já impaciente. – É bem provável que você demore em ver o senhor João Paulo. Ele precisa de muito repouso, e é melhor ele ter apenas médicos em torno dele.
– Isso significa que eu vou atrapalhar? – Respondeu o garoto, raivoso.
A enfermeira saiu do quarto, deixando o garoto falando sozinho. A raiva e a tristeza agora subiam a cabeça dele. Aproveitando a brecha que enfermeira deixara, e mais que rápido, Dan saiu correndo, parando no grande corredor do lado de fora do quarto. Ele olhou para os lados, checando se alguém pudesse ver que ele havia saido do quarto. Ninguém ia o ver, pelo fato de haverem poucas pessoas no lugar. Então, começou a olhar em todos os quartos mais próximos, em busca de JP. Num quarto afastado, ao fundo do corredor, o jovem encontrava-se deitado numa cama, com ferimentos no rosto e no resto do corpo. Ao chegar perto, JP abriu de leve os olhos, vendo Dan.
De longe, Daniel colocou a mão sobre a boca, assustado com o número de ferimentos que estavam no amigo. Dan correu até JP, e retirou a máscara de oxigênio do rosto do amigo, vendo-o abrir um leve sorriso.
– Você...você me salvou.
Lágrimas rolaram do rosto de Dan.
– Você... está... engraçado... nessa... camisola... – Disse JP, com um belo sorriso no rosto.
Dan fez uma careta. – Você ainda pode fazer piadinhas? Fala sério, JP! – Disse ele, limpando as lágrimas.
– Brincadeira... – JP respondeu, lentamente. – Odeio... te ver... triste...
JP mostrava alegria no rosto, e com isso, as lágrimas dançavam no rosto de Daniel.
– O...quê...mais...que você...queria que eu...fizesse? – JP disse, fazendo força para falar.
– Eu nem sei o quê dizer... Por minha culpa você tá aí, nessa cama, todo machucado. – Dan tentava limpar as lágrimas, para não deixar o amigo preocupado.
– Eu...só queria...te proteger... Afinal –hoje...é...seu...aniversário... – Ele fez uma pausa. – Eu... nem sei... se vou... agüentar...muito... por favor...
JP pegou a mão do amigo, e a segurou com a pouca força que restava. – Atenda o meu...último desejo...
As palavras de JP tocavam bem no fundo do coração de Daniel. “Ele não pode desistir assim! Eu tenho certeza que tudo vai dar certo!”, pensou ele.
– Não diga isso, JP! Você vai ver que em algumas horas você vai levantar dessa cama, e a gente vai curtir a minha festa! – Dan tentou alegrar o amigo.
– Eu...quero...que fique...com...o meu...livro mais...importante...– Pausou. – Descubra... por favor... aquilo que...ele tem...para dizer... Ele... é o seu...presente de aniversário...
Dan ajoelhou-se ao lado da cama de JP, e segurou com as duas mãos a dele, que estava morna.
– Eu não posso, JP. Ele é o mais importante da sua coleção! Pára com isso vai, JP! – Disse ele, irritado. – Tá vendo? Eu tô bem melhor!
JP esboçou outro sorriso no rosto.
– Que... bom... Dan... – O garoto suspirou fundo. – Não...se preocupe...comigo...Vou ficar...bem...
Agora, a enfermeira aparecera com o médico na porta do quarto. Segundos depois, apareceram os pais de JP, correndo até o filho, e nem olhando para Dan. Ele levantou-se, dando lugar aos pais, que desesperados, choravam.
– Aqui está o fujão, doutor. – A enfermeira disse, apontando para Dan.
O médico olhou para ele com repreensão. – Daniel, eu peço que me acompanhe.
Então o garoto foi puxado pelo braço pela enfermeira. “Essa enfermeira é uma monstra!”, pensou ele. “Ela não tem o direito de fazer isso!”. Da porta, Dan viu apenas o sorriso de JP, e uma tentativa de aceno. Eles voltaram ao corredor, e o garoto foi puxado por todo o corredor, de volta até seu quarto.
No quarto, o médico pediu que o garoto se sentasse na cama. O médicou sacou um estetoscópio, e colocou-o no peito de Daniel.
– Você dormiu por horas. – Disse ele, analizando o garoto.
Dan passou a mão pelos cabelos, e não sentia dor.
– Dormi? Eu me sinto normal. – Disse ele, agora com um termômetro na boca.
O médico retirou-o da boca de Dan. A temperatura se encontrava em bom estado. Depois, o médico encostou a costa da mão na testa do garoto, e confirmou a temperatura.
– Quando você chegou, sua temperatura estava altíssima. – Ele balançou o termômetro. – E desde então, não acordou. Enquanto você dormia, ficamos preocupados, já que não parava de delirar.
O médico fez apontou para a cama, pedindo para que o garoto se deitasse.
– Eu ainda tenho algum machucado? Eu ainda não posso voltar para casa? – Perguntou o garoto, que continuava sendo analizado pelo médico.
– Depende do aconteceu. Você poderia me contar, Daniel?
O médico sentou-se na cama, e Dan se ajeitou no travesseiro. Com um pequeno resumo, o garoto explicou tudo aquilo que havia acontecido. Ao final, ao lembrar-se do sorriso de JP, as lágrimas retornavam. O médico levantou-se, e pensativo, passou a mão em seu queixo.
– Você está bem sim, Daniel. Por mais incrível que seja, o machucado que ele tinha na cabeça se curou muito rápido. Mas creio que seria bom se você continuasse em observação, até amanhã.
– Observação!? – Perguntou Dan. – Isso significa que...
– Você vai ter que passar a noite no hospital. – Completou o médico.
– O QUê!? Eu acho que estou bem o suficiente para ir embora! – Respondeu o garoto, zangado. – Eu tenho certeza que a minha mãe não me ia deixar aqui!
O médico suspirou.
– A sua mãe esteve aqui. Ela estava muito triste, pelo fato de você estar aqui no hospital. – O médico disse, enquanto Dan bufava de raiva. – Ela viu que você estava baqueado, e concordou com a hipótese da observação.
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