Chapitre XI ~
Dan ficava mais assustado a cada momento. Como um alquimista atrapalhado e brincalhão daquele jeito ficaria tão nervoso áquele ponto? O nervosismo dele fazia Dan querer rir, mas o garoto segurava de toda maneira.
– Contenha-se, Renom. – O chefe tentava acalmar Ren. – Todos aqueles que você viu pelo saguão desejam essa missão, e você foi o privilegiado
“O QUÊ!? EU!?”, pensou o garoto. “E ele ainda me pôs como última opção... Quer dizer que eu sou um nada?”
– E essa é a chance dele se redimir perante os juízes, já que foi o único a escapar do julgamento deles. Como um deles, eu deveria mandá-lo para a prisão, garoto. – O chefe olhou para ele, repreensivo. O garoto franziu o cenho. – Mostre que os juízes erraram, complete a missão e sua prisão será negada.
“E ele ainda não confia em mim! E por cima acha que sou um criminoso!”, Dan pensou, nervoso.
– Vire-se. – Disse o chefe a Dan.
“O que ele quer dessa vez!?”, Dan perguntou-se. Como não havia nenhum meio de desobedecer, o garoto virou-se lentamente. “Espero que ele não ponha uma espada no meu pescoço”, suplicou Dan em pensamento.
– Sua bolsa. Entregue me.
Sem alternativas, Dan tirou a mochila de jeans escuro das costas e a jogou em direção á mesa do chefe. O homem de cabelos prateados pegou a bolsa no ar, e a analisou.
– Isso se chama mochila.
Ren olhou para Dan com uma careta, e fazendo um sinal para que não contestasse aos atos do genioso chefe. Olhando a bolsa de cima a baixo, o chefe descobriu o zíper, e o abriu, jogando o conteúdo sobre a mesa. Espalhados pela mesa, o chefe pegou uma barra de chocolate dobrada e a mostrou a Dan.
– O que é isso, garoto? – Perguntou.
Dan suspirou fundo, e com cara de deboche, respondeu. – Isso, no lugar de onde eu vim, se chama chocolate, e serve para comer.
Depois de uma série de questões sobre os objetos que estavam na mochila, o chefe finalmente pegou o livro.
– Este livro... É seu?
“Não, não. Não é meu, se tá na minha mochila não é meu. É CLARO que é MEU! Droga de perguntinha idiota...”, pensou Dan na má resposta, mas ele hesitou em falar. – Sim, é meu.
– Eu já vi este volume, em algum lugar. – O chefe folheava o livro, e chegando na contracapa, ao fundo do livro, ele percebeu o brasão. Ele passou os dedos sobre o desenho, e levantou uma das sombrancelhas. Mirando o garoto ele disse:
– Você tem toda a absoluta certeza que o livro é seu?
Dan revirou os olhos e suspirou fundo. – O livro é meu. Algum problema?
– Nenhum. Pois bem, então. – O chefe desembainhou a espada da cintura, produzindo um belo som metálico, e a apontou para o garoto, que vendo aquilo, se escondeu atrás de Renom.
– O quê ele fará comigo, então, Ren? – Perguntou o garoto ao alquimista, nervoso. Renom analizou a situação e respondeu:
– Ele não está te desafiando, mas sim te tornará um cavaleiro.
Ren saiu da frente do garoto, deixando-o desprotegido. Dan sentia as pernas tremerem, mas fez o possível para não demonstrar nenhum assustamento na face. “Se eu serei um cavaleiro, pelo menos eu tenho que mostrar coragem”, disse ele a si mesmo, contendo o medo.
– Pronto, garoto?
– Pro-pronto. P-pronto. – Gaguejou Dan.
O chefe deu uma risadinha disfarçada. – Vamos começar. – A bela espada na mão dele começou a brilhar com uma forte luz azul. – Em nome das sagradas Leis, e dos antigos Protetores da Ordem, você, se tornará um leal cavaleiro. AGORA!
Com as palavras, Dan começou a brilhar, e lentamente a luz o cobriu. Segundos depois, a luz se quebrou como mil pedaços de vidro, e revelou que o garoto havia mudado: Suas leves roupas se transformaram em uma bela roupa, composta de uma blusa de pano azul junta com algumas partes de armadura e uma calça marrom, junta com uma bota negra e em sua mão surgiu uma espada.
– Uau. – Exclamou ele, tentando girar a espada.
– Levante sua mão, garoto. – Pediu o chefe.
Ele levantou a mão esquerda. O chefe sacou um pedaço de pergaminho em formato de retângulo, com algumas inscrições estranhas, e jogou-o rapidamente na mão do garoto, antes que ele a abaixasse. Dan a segurou e tentou retirar o papel. “Ele me amaldiçoou! Assim como eles fizeram com o velho do hospita!”, indagou Dan mentalmente, se lembrando do sofrimento do homem que ajudara no hospital.
– Você me amaldiçoou! – Gritou Dan.
– Isso é um selo. – Explicou Ren. – Não se preocupe, não te fará mal algum.
Dan bufou e disse: – E você ainda está do lado dele, Ren!?
Ren suspirou. Ele não poderia fazer absolutamente nada contra o chefe do clã, ou poderia ser banido do cargo de alquimista-chefe do Reino da Terra.
– Tudo tem um preço, jovem. Ou você pensava que te tornar um cavaleiro te faria um homem livre?
O chefe deu uma risada sarcástica baixa. Renom pegou a mão esquerda do garoto, e analizou as escrituras que se juntaram á palma da mão dele.
– É um selo de localização. – Explicou Ren.
– Exato, alquimista. Com isso, eu poderei te localizar, menino, e ver se você não está tentando fugir. – Concluiu o chefe. – Se o tentar, então poderei utilizar um selo de maldição... Mas tenho certeza que você não aguentaria. E sinta-se privilegiado, afinal, você é o primeiro “prisioneiro” que serve um dos mais influentes clãs do reino. Sinta-se pronto, garoto. – Ele jogou a espada para Ren, que a pegou no ar, pelo punho da arma. – E isso é para você. Use-a quando necessário. Você saberá a hora.
Dan gritou de raiva, enquanto os olhos marrons de Ren se maravilhavam com a espada. “Ele ganha uma espada, e o que eu ganho?! Um MALDITO SELO!”, o garoto exclamou mentalmente.
– A espada de um Guarda Real, de um JUÍZ! – Disse ele, alarmado, analizando a espada de cima a baixo, assim como uma criança faz com um brinquedo novo. – Deve ser algo bem importante, já que o senhor abriu mão da sua espada...
Enquanto Ren ainda brincava com seu novo brinquedo, girando a espada no ar e ouvindo o barulho que fazia, Dan fazia de tudo para tentar retirar o papel havia se juntado a pele. “Água deve resolver...”, pensou ele, cuspindo na mão. Ele esfregou a baba, mas de nada adiantou, e as inscrições continuavam as mesmas.
– Agora voltemos ao assunto. – Disse o chefe, depois murmurando algo a Dan como “água não irá resolver, garoto.” – A missão é de nível X, ou seja, além de ser realmente difícil, digamos que ela seja extremamente arriscada.
Dan retirou a atenção de sua mão e a redirecionou para o chefe.
– Vocês deverão encontrar o alvo e escoltá-lo em segurança até aqui. – Continuou o chefe.
– E quem seria o alvo, senhor? – Perguntou Ren, curioso.
– Uma pessoa extremamente importante. Talvez a única que possa melhorar a situação atual.
– E quem é esse indivíduo, senhor? – Perguntou Dan, sério, tentando entrar no espírito da coisa
O chefe suspirou fundo e preparou-se.
– O Príncipe Vaol do Reino da Terra.
– O PRÍNCIPE!? – Exclamou Ren.
O homem jogou o pergaminho para o alquimista. Ren o pegou, e o analisou cuidadosamente, não deixando passar nenhum detalhe. Nele, explicava sobre o príncipe: Vaol era um jovem de mais ou menos 19 anos, com 1,75 de altura. No centro do pergaminho mostrava o desenho do rosto dele – Rosto jovial, desengrenhados cabelos castanhos claro médios e uma forte expressão no rosto. O Príncipe era um garoto de temperamento forte, do tipo que não ficava feliz facilmente, orgulhoso e exímio guerreiro.
– Como você pode ver no requerimento de busca, ele foi o único que se salvou do ataque ao castelo, junto com o sacerdote que comanda a Guilda dos Magos Reais. Vocês dois precisam correr, ele corre extremo perigo. Ainda precisamos nos aliar com os outros reinos e raças, antes que ocorra uma guerra.
Ren suspirou. – Isso é impossível! Eles podem estar em qualquer lugar! Em qualquer lugar do reino!
– Para alguém que conhece as Artes Ocultas não é. Utilize seu cargo o máximo que puder.
O alquimista franziu o cenho, e continuou a contestar. – Mas nosso mundo é gigantesco, senhor!
– Sem contestação, Renom. Procurem entre os três reinos, os dois não devem ter ido longe e a fuga ocorreu ontem, pela manhã...
Então, um grupo de três soldados escancarou a porta. Todos eles pareciam sem fôlego, como se estivessem correndo há horas, sem parar.
– Mas o quê é isso!? – Perguntou o chefe, nervoso.
– Senhor! – O guarda se reverenciou. – Emergência na cidade! Sua presença é solicitada!
O velho juíz suspirou. – Mais problemas. Chamarei reforços, e já estarei a caminho. Obrigado, oficial.
Os soldados se ajoelharam e saíram. O chefe agora parecia nervoso. – O resto das explicações fica para depois. Aproveitem o caos da cidade, e encontrem o príncipe.
Ele levantou a mão e com um facho de luz azul, ele desapareceu no ar. Ren bateu as mãos com força na mesa.
– Droga! – Gritou ele. – Temos que encontrar esse maldito príncipe em meio a três reinos e ainda por cima em um lugar cheio de CAOS!
Dan não podia fazer nada. – Veja pelo meu lado, também, Renom. Eu agora estou sendo vigiado, só porque ele me considera um criminoso. Acalme-se.
Renom suspirou fundo. Franziu o cenho e disse: – Se não encontrarmos o príncipe logo, algo de ruim poderá acontecer. Nos temos todo o reino em nossas mãos, e a sua liberdade também.
– Pelo que você disse, parece que temos muito pela frente.
– Vamos, então. O príncipe corre perigo e – você também.
Daniel ajeitou a mochila jeans negra nas costas e Ren embainhou a espada. Os dois saíram da sala, fazendo a porta negra bater.
See yoou!